Non omnia possumus omnes

Não custa nada e nem é difícil observar. Existe no protestantismo atual um ranço difícil de expurgar chamado anti-intelectualismo. Sofrem de amnésia também, porque Lutero era professor universitário, as discussões das famosas 95 teses seriam tratadas “academicamente”, e por muito tempo o protestantismo se dedicou à fundação de universidades mundo a fora, que hoje figuram entre as mais prestigiadas.

Já faz tempo que penso em nossa incompetência, como filhos da luz, de fazer aquilo que é necessário, eficiente e eficaz, para o progresso do Reino de Deus. Cristo mesmo afirmou: “Porque os filhos do mundo são mais espertos na sua própria geração do que os filhos da luz” Lucas 16:8 (NA17). Ainda que tenha também advertido: “— Eis que eu os envio como ovelhas para o meio de lobos. Portanto, sejam prudentes como as serpentes” Mateus 10:16 (NA17). E os crentes erram em coisas básicas, problemas simples que seriam facilmente resolvidos e evitados se houvesse um pouquinho de dedicação intelectual. Mas o pior é que tem a preguiça também. Ora, quantos já não ouviram aquele apelo à vida pregressa? “— Irmãos, quando éramos do mundo fazíamos isso e aquilo com a maior dedicação e energia!

Por que somos assim? Já se perguntou? Se tem explicação, não sei; mas já encontrei consolo…

Analisando a narrativa dos patriarcas é fácil constatar uma realidade comum a todas as histórias: a infertilidade. É pacífica a interpretação desse fenômeno como marca da inquestionável ação divina para a realização da promessa. Abrir e fechar a madre era competência divina. Nem mesmo isso poderia ser motivo de orgulho para o povo de Deus. Se dependesse do povo (de Deus), nem povo os judeus seriam! Além disso temos outras questões de competência como a total falta de capacidade bélica para conquistar a terra prometida e por aí vai (Deuteronômio 7:7-8).

Assim somos nós. Se dependesse da nossa competência para o sucesso da igreja, as portas do inferno prevaleceriam facilmente. Quando chegar o dia da visitação, de nada poderemos nos gabar da vitória conquistada. Nossa incompetência, de certa forma, será a glória dEle! Contudo, preciso parafrasear Paulo para fechar: continuaremos, então, ignorantes e preguiçosos para que a glória de Deus aumente ainda mais? De modo nenhum! Nosso dever é cultivar virtudes.

André R. Fonseca

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