Sermão do monte

ERA UM DOMINGO DE MANHÃ. Todos aguardavam o início da EBD, devidamente acomodados em suas cadeiras em círculo e bíblias já abertas. O professor se colocou no meio deles e, ignorando o plano de aula, proferiu um sermão.

Vocês ouviram o que foi dito: “A letra mata. O espírito do sapatinho de fogo é que vivifica”. Eu, porém, lhes digo: a única coisa que essa letra mata é a sua ignorância bíblica.

Vocês ouviram o que foi dito: “Não existe nem pecadinho nem pecadão”. Eu, porém, lhes digo: Quem entregou Jesus tinha um pecado maior do que o de pilatos. Há pecados que o Senhor detesta, há outros que ele abomina. Como poderiam ser iguais?

Vocês ouviram o que foi dito: “Minha vitória terá sabor de mel”. Eu, porém, lhes digo: Deus detesta a soberba, e vingança lhes trará amargura em vez de mel.

Vocês ouviram o que foi dito: “Crente não pode ouvir música do mundo”. Eu, porém lhes digo: há músicas do mercado gospel mais nocivas à alma. Há músicas do mundo com mais valores cristãos do que certas músicas ditas evangélicas.

Vocês ouviram o que foi dito: “Não julguem”. Eu, porém lhes digo: fomos chamados para julgar e, assim, discernir entre o correto e o errado. Senão, tropeçaremos como os crentes da igreja de Pérgamo e Tiatira.

Vocês ouviram o que foi dito: “Só a Almeida Corrigida e Fiel é a palavra de Deus”. Eu, porém lhes digo: a paciência do professor tem limite.

Vocês ouviram o que foi dito: “Atos 2:43-47 mostra que a igreja primitiva era socialista”. Eu, porém, lhes digo: basta!

E assim ele encerrou o sermão do monte de besteira que os crentes andam falando por aí.

André R. Fonseca
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