Pode ser Pepsi

OUTRO DIA FALAVA SOBRE como a Pepsi distorcia minha visão de mundo. E acredito que alguns americanos achavam que nossas madames realmente andavam com uma salada de frutas na cabeça, feito Carmen Miranda.

Hoje vou seguir nessa mesma entoada, mas já aviso ao leitor com pudor hipersensível que, talvez, fosse melhor ler outra coisa mais adequada pra sua maturidade. Segue sugestão no link: http://www.smilinguido.com.br/

Quando servia como intérprete voluntário para a Convenção Batista do Tennessee, que sempre enviava missionários para o Brasil, ouvi muitas anedotas. Uma delas foi a de um pastor americano que veio sozinho para o Brasil e resolveu improvisar hospedagem. Assim que se acomodou, ligou de seu quarto para sua intérprete, uma de minhas amigas, para buscá-lo no endereço onde se hospedara para acompanhá-lo até a igreja onde pregaria à noite.

Ela não quis acreditar no que viu quando chegou ao endereço informado. Muito constrangida, a pobre intérprete pediu para que chamassem o fulano em seu quarto. Nem teve coragem de identificá-lo como pastor na recepção.

— Não sou o que você está pensando. Isso foi um inacreditável mal entendido. Chame, por favor, esse fulano. E ele pode descer já com as malas! – cinco minutos depois, sem saber onde enfiar a cara, avista o pastor sorridente.
— Cadê sua mala? Só esta pasta?
— Não preciso da mala na igreja. Só aqui mesmo para quando voltar.
— Não, o senhor não vai voltar!
— Por que não?
— O senhor se hospedou num motel.
— E?

Quando minha família foi para Caruaru de carro, lembro-me que nossa hospedagem padrão era o Hotel Flecha, aquele do indiozinho. No contexto americano, um pai pode tranquilamente ir para um motel com sua filha. Sem ser preso por isso! Sinal de uma sociedade perdida? Claro que não!  O hotel serve o turismo urbano. O motel serve de hospedagem barata para pernoite em beira de estrada. O que, para nós, de acordo com nossa cultura, seria um sinal de promiscuidade ou incesto; lá, nem de longe!

O que diríamos então de uma cultura tão distante e peculiar quanto aquela que encontramos nas páginas da Bíblia? É nisso que alguns tropeçam. Leem sobre o amor de Davi por Jônatas com o mesmo olhar contaminado de promiscuidade de sua própria cultura erotizada, muito longe da realidade bíblica. E assim um padre excomungado fala da suposta relação homossexual de um centurião e seu servo – aprovada por Jesus, segundo ele, e um tal pastor protestante deturpa as metáforas da conversa entre Jesus e uma samaritana – atribuindo sentindo sexual à fala de Jesus.

“Tudo é puro para os que são puros; mas nada é puro para os impuros e descrentes, pois a mente e a consciência deles estão sujas.” Tito 1:15 (NTLH)

 

André R. Fonseca
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